“Vivemos uma terceira revolução industrial”. Você provavelmente já deve ter lido ou ouvido isso em algum lugar, certo? Pois não deixa de ser verdade. Acontece que essa revolução não começou agora: ela data de meados da década de 1950, quando a eletrônica e a computação passaram a ser os condutores das grandes transformações na indústria e na sociedade.

Computadores pessoais, internet, globalização, democratização do conhecimento: nenhum desses fenômenos tão comuns dos nossos dias seria possível antes dessa mudança. É por isso que se costuma dizer que ela deu origem à era da informação.

Agora, entretanto, uma nova ruptura está em progresso: a chegada da era digital pode desencadear o que muitos acreditam ser a quarta revolução industrial. As mudanças decorrentes disso podem ser ainda mais surpreendentes — e até dramáticas. Como as empresas podem se preparar para isso?

Uma história de revoluções

Antes de pensar em como agir diante dessas transformações, é necessário um pouco de história. A primeira grande mudança na trajetória da humanidade ocorreu há cerca de dez mil anos, com a revolução agrária. Essa ruptura deu grande impulso à produção de alimentos e foi sucedida, somente no século XVIII, pela primeira revolução industrial, quando surgiu o primeiro motor a vapor e se iniciaram as construções das ferrovias.

A segunda fase da revolução industrial ocorreu no século XIX, quando tivemos a chegada da eletricidade e das linhas de montagem, que permitiram a produção industrial em larga escala. Finalmente, após a Segunda Guerra Mundial, a corrida tecnológica entre capitalistas e comunistas deu origem à terceira revolução industrial, cujos efeitos moldaram o mundo em que vivemos hoje.

As revoluções na indústria

Todos os setores da economia se beneficiaram de alguma forma com os avanços gerados na era da informação. De maneira geral, os custos diminuíram e a produção industrial disparou.

O surgimento da robótica, por exemplo, possibilitou uma modernização espetacular na linha de montagem das indústrias, especialmente no setor automobilístico. O progresso científico e tecnológico também permitiu saltos de produção no agronegócio, além de um impulso sem precedentes na indústria farmacêutica.

Mas, talvez a maior revolução tenha se dado no âmbito organizacional: a obsessão por uma melhor produtividade levou as empresas a criar uma série de processos para se manter competitivas — afinal, os líderes deveriam ter acesso a dados confiáveis que os permitissem tomar decisões mais assertivas. Isto culminou na expansão das empresas multinacionais e consolidou a economia capitalista.

As revoluções na sociedade

Não dá para negar que o progresso científico e tecnológico contribuiu de maneira decisiva para a queda da União Soviética, no final da década de 1980. Enquanto os países capitalistas celebravam o desenvolvimento econômico e a conquista de inúmeros avanços sociais, os regimes comunistas afundavam com uma economia burocrática e centralizada.

Com o mundo livre daquela intensa divisão ideológica, diversos países que compunham o bloco soviético passaram a adotar o capitalismo liberal como forma de governo e política econômica. O resultado disso foi a intensa globalização da economia, política e cultura a partir da década de 1990.

Foi na metade dessa década, aliás, que houve um dos marcos decisivos da globalização: o surgimento da internet comercial. A chamada “rede mundial de computadores” se tornou possível graças a muitos acordos entre diferentes entidades públicas e privadas de todo o planeta.

O avanço intenso da tecnologia e dos meios de comunicação aprofundou a integração entre os países de tal modo que, hoje, pode-se dizer que o mundo não está apenas mais interconectado: ele está interdependente de uma maneira nunca vista.

O que vem por aí

Como visto anteriormente, dez mil anos separam a revolução agrícola da primeira revolução industrial. A segunda e a terceira etapa dessa ruptura aconteceram num espaço de duzentos anos. Agora, apenas meio século depois, a era da informação começa a dar espaço à era digital.

Você às vezes se sente meio zonzo com as intensas transformações dos nossos tempos? Parabéns, bem-vindo ao clube. Isto ocorre porque estamos testemunhando os anos de transição entre uma era e outra — e com o agravante de que o ritmo linear de antes parece ter assumido um compasso exponencial.

Sabe aquela série de processos que as empresas inventaram para aumentar a produtividade? Pois, se elas não repensarem todos eles e investirem em conceitos como a integração de sistemas, o resultado pode ser exatamente o oposto no contexto atual.

Muitas ideias que considerávamos ser ficção científica há apenas alguns anos já são ou começam a se tornar realidade. Conceitos como o Machine Learning servem tanto para recomendar uma série para você na Netflix quanto para viabilizar carros autônomos.

Tecnologias como Big Data e Data Science serão indispensáveis para otimizar os processos de uma empresa. A grande questão para as companhias não é se elas serão afetadas pelas transformações, e sim se elas saberão identificá-las quando estas cruzarem seus caminhos.

Lembra-se da Kodak? Em 1975, a empresa desenvolveu a primeira câmera digital do mundo — um trambolhão de 5 quilos que fazia imagens de baixíssima resolução. A ideia de fazer fotos sem filme não empolgou os executivos da maior fabricante de filmes e produtos químicos para fotografia. Ainda assim, pesquisas internas apontaram a viabilidade do produto dali duas décadas. Só que os anos foram passando e a companhia preferiu não romper o modelo já existente. Resultado: a concorrência abraçou a tecnologia e o negócio da Kodak caiu por terra.

Na era digital, o tempo para tomar decisões vitais num negócio será cada vez menor. Segundo estudo recente da McKinsey, uma prestigiada consultoria americana, a probabilidade de uma empresa perder a liderança de mercado num período inferior a cinco anos é o dobro da vista há 20 anos.

Não se trata somente de uma questão econômica: toda a sociedade será impactada pelas mudanças. O último Fórum Econômico Mundial apontou, por exemplo, que a automação acabará com 7 milhões de empregos até 2020. Isto pode afetar especialmente o Brasil, já que metade dos nossos postos de trabalho é passível de automação.

Resumindo: a terceira revolução industrial já está passando o bastão para a próxima. Descobrir como dominar os desafios decorrentes disso é hoje o grande desafio não somente das empresas, mas de toda a humanidade.

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