Toda empresa possui seu próprio sistema computacional, cada um com suas características específicas. Com raras exceções, o mais comum é que essa infraestrutura digital vá crescendo e, eventualmente, alcance um nível de complexidade que torna difícil saber se é melhor mantê-lo ou replanejá-lo, partindo do zero.

Essa questão faz parte da rotina de muita gente, ainda que essas pessoas não saibam exatamente que isso é mais comum do que parece. Trata-se de um sistema legado e é fundamental estar atento para que ele não se torne um problema. Por isso, mostraremos aqui tudo o que você precisa saber sobre o assunto. Confira!

Afinal, o que é um sistema legado?

Gestores de grandes empresas podem conhecer bastante da história de crescimento do negócio. Entretanto, quando lidamos com uma infraestrutura computacional corporativa, é difícil identificar exatamente qual foi o caminho que ela traçou para chegar ao formato em que se encontra hoje.

Grosso modo, um sistema legado é uma infraestrutura digital que foi construído sem uma arquitetura definida e passou por algumas etapas de crescimento sem muito planejamento. Indo além, existem alguns indicadores específicos que ajudam a categorizar um sistema legado, já que o limite para essa falta de planejamento não é muito claro. Falaremos sobre eles de forma aprofundada mais à frente.

Devido à falta de planejamento desde o princípio da construção do sistema, as partes vão sendo adicionadas aos poucos, individualmente, de acordo com a demanda do momento. Não há uma visão de longo prazo por parte de quem faz o projeto da arquitetura e o resultado é um verdadeiro Frankenstein.

Entretanto, possuir um sistema legado não significa diretamente uma grande falha no processo de elaboração do projeto. Em muitos casos, são pequenas empresas que não tinham muita escolha a não ser investir na estrutura da qual necessitavam naquele momento. Posteriormente, com o crescimento do negócio, a demanda aumenta e, com ela, o sistema.

Em um determinado ponto, surge a percepção de que a empresa não precisa simplesmente de funcionalidades novas e programas que sejam agregados. A própria complexidade dessa arquitetura pesada e lenta começa a gerar problemas. Muitas vezes, o sistema é herança de outra empresa, o que complica ainda mais a sua reorganização.

Por isso, é fundamental saber identificar se a infraestrutura de sua empresa não configura um sistema legado e, caso isso ocorra, qual a melhor alternativa.

Quais são as características de um sistema legado?

Como dissemos, existem alguns indicadores que caracterizam o sistema como tal. Falaremos de alguns deles para que você faça um paralelo com os equipamentos e a arquitetura que possui. Posteriormente, apontaremos algumas questões sobre como lidar com ele.

Em alguns casos, mas não obrigatoriamente, o sistema já é um tanto velho. Em geral, ele é essencial e insubstituível para a empresa, apesar de contar com hardwares e mainframes já obsoletos. Ferramentas de desenvolvimento, linguagens de programação, bancos de dados e protocolos específicos são alguns dos itens que se mostram já em desuso.

Verifique se os formatos de arquivos gerados por seus programas não são incompatíveis com os mais utilizados atualmente no mercado. Muitas vezes, esse sinal parte de clientes ou fornecedores que apontam a inconsistência entre os arquivos trocados entre as empresas.

Um outro fator importante é a proteção dos dados. Sistemas que, independentemente dos esforços da equipe de TI, apresentam muitas falhas de segurança, podem ter na raiz dos problemas a sua arquitetura como um todo. Softwares já obsoletos, hardwares de baixa qualidade e não escaláveis etc.

A própria dificuldade de manutenção é um importante indicador, nesse sentido. Muitas vezes, os desenvolvedores originais de certas aplicações já se aposentaram ou não estão mais na empresa, o que torna aquele software impossível de ser mantido e atualizado. Não é à toa que os programadores utilizam o termo “colocar a mão no vespeiro” para o ato de tentar modificar um código complexo desenvolvido por outro profissional.

Como você pode ver, são vários os parâmetros que podem servir de referência para que você identifique se possui um sistema legado. Não é incomum ter problemas pontuais com algumas dessas questões. Entretanto, se elas estão se somando ou se mostram imutáveis, é bom ligar o sinal de alerta.

Sistema legado: substituir, atualizar ou manter?

É preciso ter em mente que, apesar de termos chamado a atenção para diversas características e até certos problemas do sistema legado, não estamos dizendo que a única alternativa é, obrigatoriamente, substitui-lo. Entretanto, é importante que você tenha em mente que esse seria o cenário ideal.

Um sistema legado tem como principal característica o alto custo de manutenção. Seja pela própria obsolescência do hardware ou pela dificuldade de lidar com softwares ultrapassados, é preciso investir muito para mantê-lo funcionando. Isso nos mostra a necessidade de realizar a migração para um sistema mais eficiente.

É claro que tudo depende de cada situação e das possibilidades da empresa. Não adianta ter em mente que a substituição é obrigatória se não há recursos em caixa para implementar um sistema novo e projetado de forma inteligente desde o princípio. Neste caso, vale a pena pensar em alternativas que mantenham a troca como objetivo final.

Uma migração dividida em etapas pode ser implementada com o auxílio de cloud computing, por exemplo. Alocar parte dos recursos na nuvem enquanto a infraestrutura física é substituída pode ser a forma mais eficaz de contornar eventuais problemas causados pela mudança. Afinal, esse é um dos maiores medos de empresas que cogitam investir em um sistema novo.

Ao lidar com certas aplicações de TI que envolvem o produto final da empresa (servidores de bancos, por exemplo), existe uma preocupação de que os dados possam ser perdidos. Essa migração temporária para a nuvem pode dar o tempo necessário que sua empresa precisa para realizar a troca e estabelecer um sistema totalmente novo.

O investimento realizado pode ser rapidamente recuperado. A redução de gastos com manutenção é significativa e fará, em pouco tempo, o negócio se bancar. Por isso, é importante fazer essa análise para revitalizar a infraestrutura digital da empresa, mantendo-a em dia com o que há de melhor em tecnologia.

Vale lembrar que o mercado exige que as empresas se renovem constantemente, mantendo sua competitividade. Tenha em mente essas dicas e evite que um sistema legado comprometa o desempenho dos profissionais da empresa.

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